
Pois é, faz hoje dia 7 de Agosto de 2009, 1 ano que fiz a travessia do Canal da Mancha.
Se tenho saudades? Se viveria essa experiência de novo?
Claro que sim e um dia lá voltarei. O que é certo é que num espaço de um ano ainda consegui fazer aquela que sempre esteve em segundo lugar na minha lista de travessias, o Estreito de Gibraltar e isso vai-me mantendo com menos saudades das travessias que fiz e já são passado.
Mas, e de que é que me lembro da travessia do Canal da Mancha? Bom, lembro-me de quase tudo, à excepção de um pormenor ou outro. Vivi aqueles dias que antecederam a travessia e a própria travessia como se esse fosse o último dia da minha vida. E talvez por isso não tenha deixado nada ficar para trás.
Enquanto escrevo este post (são agora quase 11 da noite) lembro-me principalmente da dificuldade que tive de adormecer para tão curta noite. Deitei-me cerca das 23h para acordar pouco depois às 2 da manhã. A ansiedade era imensa e a vontade de começar a dar aos braços era mais que muita. Lá consegui de facto dormitar umas duas horas e só foi possível acordar cheio de força porque tinha andado a dormir imenso (pelo menos bem mais do que costumo) e esse descanso fez bem a diferença na hora do tudo ou nada.
O dia 6 tinha sido lindo, cheio de sol. O dia 7 começou com uma brutal tempestade. Estive quase a desanimar, mas acreditei que tudo iria acalmar quando tivesse que acalmar o que acabou por ser verdade.
À chegada ao Porto de Folkestone já estava tudo mais sereno embora de tempos a tempos a noite se iluminasse com um ou outro relâmpago. Já tinha parado de chover.
A única preocupação do Fred Mardle (meu piloto) era das previsões de vento forte no lado francês a partir das 13h. A Mariana otimista como sempre disse ao Fred que se eu começasse a nadar por voltas das 4 a manhã e com a minha determinação em fazer cerca de 10 horas, esse vento já não me iria afectar.
E assim foi. Saí às 3h58m e cheguei ao Cabo Griz Nez em França 9h30m depois. Eram precisamente 13h28m. Embora tenha sentido o aumento do vento, isso não chegou para me desviar do meu objectivo.
Apesar de não ter tido um dia ideal para a travessia (quem tem?), tudo correu de feição.
O otimismo e fé com que encarei este desafio, e na presença da Mariana que me dá tanta força, do meu querido mano Manel sempre presente e que é como se trouxesse todo o resto da minha familia com ele, sem esquecer o Pedro meu treinador em quem tanto confio, foram determinantes para que esse dia fosse um daqueles que lembrarei para o resto da vida.
Um ano depois agradeço a eles, aos meus filhos que com os seus "gritos de guerra de Mancha Pai!!!" tanto me deram força nos meus treinos de água fria, ao meu Pai pelas cartas que me escreveu, à minha Mãe por tudo o que ofereceu para que eu estivesse sempre em segurança, à minha irmã Maria, meus queridos sobrinhos e cunhados. Aos meus sogros por todo o apoio com a logística nos "bastidores". E enfim, a todos aqueles que durante esses dias tanto me incentivaram com mensagens (no mail, blog e telemóvel), amigos ou conhecidos. Ao Hugo Capela e ao Pedro Baptista da TVI pela aposta que fizeram em mim. Ao Celso e à Sofia. O Celso sabe porquê.
E agora? Claro que depois desta aventura e do Estreito de Gibraltar no dia 13 de Julho, estou desejoso de voltar a desafiar qualquer água deste meu Portugal ou deste mundo a que pertenço.
Em breve terei mais detalhes. Até lá fiquem com algumas fotografias da travessia da Mancha que acho que nunca cheguei a mostrar.

