15 de julho de 2010

Travessia do lago Bibane- Tunísia


No passado dia 27 de Junho aventurei-me em mais uma ida à Tunísia, desta feita para realizar a travessia do lago Bibane. É uma Lagoa hipersalina na região de Médenine, no Sul da Tunísia, perto da vila de Ben Guerdane, a poucos Kms da fronteira deste país com a Líbia, tendo a norte a bela Ilha de Djerba. Tem uma superfície de 230 km2. A lagoa tem grandes concentrações de sal e é uma situação de pesca exclusiva. A profundidade média é de 4,06 metros.

Foi uma travessia realizada no âmbito do projecto "Dialogue Across the Seas", o mesmo que no ano passado organizou a Travessia do Golfo de Gabés. Estiveram representados nadadores de Inglaterra, Portugal (eu), Tunísia, Marrocos, Líbia e Síria.

Inicialmente prevista para ser de cerca de 22 Kms, a travessia acabou por ser de cerca de 25/26Kms, em condições não muito favoráveis.

Se estou preparado para o que der e vier a verdade é que nesta travessia tive um outro teste que não estava à espera. Fiquei 4 horas sem comer e apenas bebi 2 vezes água. Tendo em conta as elevadas concentrações de sal daquele local, podem imaginar que não foi fácil.

A organização neste aspecto tem ainda muito a melhorar.

O Percurso começou com uma recta de 5 Kms desde o local de partida, retorno num barco aos 5 Kms até de novo ao local de partida e em seguida uma recta (de recta teve muito pouco mas enfim) até ao outro lado do Lago.

Aqui está a foto da minha chegada ao fim de 5h55m de algum sofrimento e muita, muita fome...

O que valeu foram os Bricks (comida típica da Tunísia) que "ataquei" à chegada :).



Para o ano há mais?

14 de junho de 2010

Há Mar e Mar, há ir e voltar

Vejam o vídeo com 3 amantes do Mar que o respeitam acima de tudo.

25 de maio de 2010

Vídeo do RECORD sobre o Nissan Titan Desert

O Jornal Record no seu site publicou o vídeo sobre o Nissan Titan Desert 2010.
Aqui vai para que não percam algumas das emoções vividas nesta dura prova.
Enjoy!!!



10 de maio de 2010

Carta do meu pai. Só agora consegui publicar aqui no blogue

Meu querido e adorado Miguel

Todos temos os nossos heróis, escultores, músicos, místicos, pintores, cabos de guerra e almas livres que só na liberdade de ser e de estar, se afirmam. Brancusi, Bach, Francisco de Xavier, Caravaggio ou Albuquerque, são alguns dos grandes que vivem, ainda, no panteão dos meus deuses. Mas tu, com esta titânica aventura, és cada vez mais o Hércules nos seus trabalhos, a vencer o Leão de Nemeia ou a Hidra de Lerna, num sortilégio sem tempo e sem medida.
Tens trinta e cinco anos, em que trinta e três, tantos quanto os da Paixão, tens vivido na água, doce ou salgada, ou doce e salgada como a água do ventre de tua Mãe. Mas agora o deserto, esse lugar mítico e místico do encontro com Deus, e onde outrora também houve mar, e houve Deus, na sarça ardente, nas fugas, nas tentações, no maná a brotar da rocha.
E tu lutas por conseguir chegar à meta dos teus sentidos, para experimentar os teus limites, sabendo querer o que queres mesmo quando não podes querer quanto queres, porque não há limites para a vontade, só o há para o desejo e tu não desejas, queres, pois tens a ideia muito clara de que esta vida é demasiado curta para ser pequena. Como diz o adágio popular, Deus manda lutar, não manda vencer. E para além da luta que estás a travar com o deserto estás a vencer, a vencer-te, herói do meu contentamento.
Sei que é com dor que estás a tentar passar esse Bojador, que penso ser de facto um Cabo da Boa Esperança, sempre com essa tua vontade "que te ata ao leme", da vida, da aventura, do sonho de te seres para além da dor, e de ires até "onde só vai quem não tem medo de naufragar".
Não sei que beijo hei-de inventar, para te dar, galeão do meu espanto, ternura do meu olhar, Miguel meu Filho, minha força sem quebranto.
Há anos que procuras o teu Preste João, príncipe, rei, imperador das aventuras de ti, Mestre dessa Ars Magna que é o teu olhar doce e terno, quando nos olhamos e nos sentimos, quando raiados pelo sangue da conquista vais gritando como Xavier, mais! mais! mais! enquanto eu, lembrando-me dos gregos te grito, évoé! Miguel, évoé!
Nada se faz sem paixão, meu querido, seja ela composta por Bach ou por ti, esculpida por Brancusi ou por ti, pintada por Caravaggio ou por ti, escrita pelo desassossego de Pessoa ou por ti. Que importa, se te dou beijos ou olhares, se o Deus da minha finitude me corre nas veias e te incita a acreditar que te amo, a Ti, aos Manos, à Mãe que vos deu ao Mundo, aos Netos que me vão dando e me fazem pensar que a verdade são vocês todos, e não a que dizem estar no fundo de um poço sem fundo.
E abro as veias para deixar correr para ti todo este Amor que te tenho.
Pai.

PS: Parabéns para ti e para a Mariana pelos três anos do Vasquinho, hoje, dia sete, o que na numerologia pitagórica é o número da perfeição. No domingo lanchamos todos nesta casa que é de todos.

7 de maio de 2010

Os Titãs portam-se melhor na areia do que o Titanic na água!

Hoje foi a etapa de "alongamento". 58Km (compensa o esticão dos 136Km de ontem) quase sempre a descer. O Miguel cumpriu em 3 horas, obtendo a sua melhor classificação de sempre, 240º, o que o ajudou a manter o lugar de 269º na geral. Já só 289 dos cerca de 340 inscritos terminaram portanto irrespectivamente da classificação obtida o simples chegar ao fim dos 5 dias é louvável.
Depois da violência do dia de ontem, e da substituição da bicicleta o Miguel já me tinha avisado que hoje estaria numa de "take it easy". Na fotografia abaixo ele é o 3º da esquerda no alto da duna (sempre a rir) com o nº 225 no guiador - o dorsal do Miguel é o 227 mas relembro que esta bicicleta era do Ricardo Diniz - e muita areia nos sapatos.
Quando falei com ele já estavam no hotel e calulo que por esta hora ele esteja já na piscina ou oásis mais próximo a dar umas braçadas!


A Titanic effort pays off. Despite stating that today's final leg of 58km, mostly downhill, was going to be taken easily (hoping to avoid further accidents like yesterdays when he totalled his bike) Miguel managed his best placement so far, 240th which allowed him to maintain his overall place of 269th. As you can see in the photo (Miguel is 3rd from the left at the top of the dune) he was still smiling at the end of the race, relieved to be finishing in one piece. the number on the bicycle is 225 as it was Ricardo Diniz's bike. Miguel's number was 227 if you want to look him up on the official site.
By the time we spoke he was back inthe hotel and so I imagine that by now he has pulled on his swimming trunks and gone for a few laps of the pool or nearest oasis.

6 de maio de 2010

Boumalne Dades - Toundout (Portuguese /English)

Dados técnicos da etapa 4:
135km de distancia com um desnivel acumulado de 1400m (altos e baixos a pique)
e 5km de percurso num oued (para quem não sabe isto é o leito de um rio seco, pedregoso, e muito complicado de navegar)
Hoje é que foi a tal etapa que nunca mais acabava. Só soube notícias do Miguel depois das 20h e só há pouco é que apareceram os dados relativos à classificação dele. O tempo limite para a prova de hoje era de 12 horas. O Miguel acabou com um tempo de 11h36m e em 278º lugar (269 no geral). Já são só 289 em competição. O deserto já tratou de quase 50 atletas mas o nosso nadador continua com pernas para pedalar. A bicicleta - essa é outra história!
Cerca de 20 km do final da prova o Miguel sofreu uma queda violenta numa descida (de tal forma assustadora que o Paulo Quintans que o observava caiu também). O próprio Miguel ficou com uma perna muito magoada e dorida e éscoriações várias.
A bicicleta dele partiu-se ao meio.


Segundo me contou ao telefone estaria perto dos 50kmh numa descida quando se despistou (não consegui apurar a causa exacta fora a falta de experiência nesta modalidade). O Paulo ficou com ele e juntos colaram a bicicleta com fita adesiva para que o Miguel conseguisse terminar a prova. Conseguiu, com um tempo um bocado mais à tangente do que gostaria mas está feito.


O Miguel é um exemplo de quem tudo faz para concluir aquilo a que se propôs. Imagino que a prova dele hoje deve ter feito lembrar aquela terrível travessia dos Farilhões a Peniche em 2008.
Felizmente, hoje, no acampamento já tinham direito a assistencia médica e técnica. O mecânico estava a tratar de cortar a bicicleta do Ricardo Diniz para que o Miguel tenha montada para a derradeira etapa amanhã.
Entre as dores, o cansaço e as saudades senti-lhe crescer algum desanimo. Encorajei-o, lembrei-lhe que amanhã faz anos o nosso Vasquinho (embora ele próprio não o saiba - vamos "adiar" tudo para Domingo quando cá estiver o Pai!) e é o último dia. 58km e fica feito. E aquilo que ele faz já ninguem o tira.
Espero que ele agora consiga descansar bem, massajar bem aquela perna e seguir em diante com o sorriso característico que é a marca de um verdadeiro herói.


vejam aqui a fotogaleria do jornal i
e cliquem na foto para visitar a fotogaleria do site oficial da prova



I spoke with a very tired and sore Miguel around 8pm tonight. Toady was the really big stretch. 136Km in total covering an elevation of 1400m (with some very steep climbs and descents). There was a 12 hr limit for the conclusion of the leg today and Miguel limped in at 11h36min, his broken bicycle barely functional and held together with adhesive tape. He came in 278th place, out of a much reduced pack of 289. The overall classification still holds him in 269th though.

Fortunately they are allowed medical and mechanical assistance at the camp tonight, as Miguel suffered a very bad fall downhill about 20km from the end of the course. He was hovering around 50kmph when he lost control of his bicycle. It literally broke in half. Fortunately he escaped with a severely bruised thigh and many scrapes. Paulo Quintans, the other Sea Titan still inthe running, helped him tape up his ride and accompanied Miguel for the rest of the event. As Ricardo Diniz had to pull out yesterday due to a knee injury, the mechanic was going to be busy tonight trying to fit Ricardo's bike for Miguel's stature. At least tomorrow it's the sprint - 55km to Ouarzazate and then it's over.

Alnif -> Boulmane Dades

Já passa da 1h da madrugada. Eu tenho as mãos cheias de tinta - a minha distração nestes dias que o Miguel tem estado fora (será que ele repara ao voltar?) - e tenho estado a pensar imenso no Miguel, embrulhado num saco cama, a dormir sob a luz das estrelas que fazem cintilar a neve no topo das montanhas. Consegui falar com ele, por breves instantes hoje à noite. Um momento fugaz de rede que serviu para me animar a mim em relação ao estado dele. Bem disposto, cansado, não mais dorido do que seria de esperar. Está triste porque o Ricardo Diniz viu-se forçado a abandonar a prova - problemas de joelho; está preocupado com a noite e o frio; e se o dia de amanhã o enche de ansiedade pelos 136km de prova (afinal eu baralhei-me nas minhas previsões e achei que essa tinha sido a distância hoje) também se anima sabendo que cada pedalada o aproxima de casa novamente. Sinto-me muito presente nesta prova com ele, a dar força, mas mesmo assim faz-me falta o calor e a alegria que a presença dele me traz. Falta pouco. Está quase. É o tempo que me basta para acabar de pintar os quartos, arrumá-los novamente, e até, quem sabe, lavar e aspirar o carro. É assim que preencho o tempo quando ele não está. Com estas coisas que são precisas e nunca mais se fazem. Com isso ou com chocolate!

Supostamente tinha aqui vindo relatar o dia do Miguel. No entanto o que me saiu das pontas dos dedos foi isto.

Tenho saudades do meu querido. Por uma semana fiquei deserta.

Os relatos estão aqui e aqui.