29 de agosto de 2009

As férias também se aproveitam

Tenho estado de férias estes dias na Costa Alentejana em Porto Côvo. Uma das minhas preocupações sempre nestas alturas é saber se, entre praia em família, filhos para arranjar e outras combinações, consigo fazer alguns treinos de jeito.

Para dizer a verdade, acordo todos os dias a pensar no treino que vou fazer nesse dia e, a maior parte das vezes acabo por mudar de planos.

O que aqui tem acontecido é que basicamente não tenho parado e estou sempre em corridas, jogos de futebol, volley de praia, e muitas, muitas carreirinhas neste mar que nem sempre é fácil mas que tem dado para grandes emoções.

Acabo por nadar bastante mas não posso chamar a isso treino.

Mesmo assim ontem consegui fazer um treino de 2horas e cumprir mais uma etapa desta minha ideia de um dia ter feito todas as praias de Portugal a nadar.

Encontrei o Rodrigo Costa, um amigo destas andanças, que além de nadador do CNLA (Clube Natação do Litoral Alentejano) é também um dos nadadores salvadores desta costa que, desejoso também de treinar para próximos desafios (Challenge 10km) aceitou o meu desafio de fazermos juntos a travessia a nado entre a Praia de São Torpes e a Praia Grande de Porto Côvo numa distância de 7,80 Kms (no Google Earth).









Encontrámo-nos então ontem dia 28, pelas 09h30m, no Parque de estacionamento da Praia Grande de onde partimos de boleia com a Mariana para a Praia de São Torpes.

Começamos a nadar eram precisamente 10h40m no meio de umas boas ondas e esperavam-nos algumas dificuldades como a água fria e o mar em algumas zonas bem agitado. E assim foi!!!

Avisado estava também o António Mestre, da Associação Resgate que se reuniria a nós mal pudesse com uma moto de água. Apareceu ao fim de 45 minutos quando já nos aproximávamos da Praia da Vieirinha.

Tudo correu muito bem, tendo falhado apenas o não termos pensado em nada para comer ou beber no trajecto. Tinha só um chocolate miserável que comemos ao fim de 1 hora.

Chegámos à Praia Grande de Porto Covo no meio de grande ondas e fortes correntes ao fim de 2h02m06s, o tempo que tínhamos planeado no início (apontámos para as 2 horas).

Aqui fica a fotografia para a posteridade do Rodrigo e eu junto à escola de surf na Praia de São Torpes.

E assim fica mais um pedacinho do mapa de Portugal Percorrido!!! Ainda vou ter muito para nadar!!!


20 de agosto de 2009

Revista Macau Closer - A SEA HERO FOR THE 21st CENTURY

Como alguns devem saber, ou porque eu lhes disse ou porque já terão visto a noticia em algum jornal ou revista, tenho planeada uma travessia entre Hong Kong e Macau já para Outubro/Novembro deste ano.

A ideia era que essa travessia fizesse parte das comemorações do 10º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau.

Foi uma aventura proposta pelo meu amigo Zé Ferreira Pinto que, entusiasta destas coisas e a viver em Macau, me lançou a ideia.

No entanto a coisa não está fácil de ser desbloqueada e as entidades oficiais que têm de autorizar a travessia ainda não disseram nada.

Vou continuar à espera e depois de umas férias espero voltar em Setembro cheio de força para me desdobrar em contactos a ver se tenho respostas. Acredito que será possível mas preocupa-me ter de organizar tudo em cima do joelho caso me respondam já muito em cima da hora.

Claro que poderei lá ir daqui a uns meses, mas idealmente seria já este ano.

Enfim, vão-me animando as noticias que vão saindo na comunicação social de Macau, de que é exemplo a entrevista que saiu na revista Macau Closer agora de Agosto. E então com títulos destes...
Macau Closer é a primeira revista de negócios e de curiosidades sobre a vida e as tradições deste território publicada em Macau em lingua inglesa.
E até já tenho um nome em chinês (Ai mi-gao). Interessante!!!
Para irem directamente à entrevista cliquem aqui .

6 de agosto de 2009

Canal da Mancha - 1 ano depois!!




Pois é, faz hoje dia 7 de Agosto de 2009, 1 ano que fiz a travessia do Canal da Mancha.
Se tenho saudades? Se viveria essa experiência de novo?
Claro que sim e um dia lá voltarei. O que é certo é que num espaço de um ano ainda consegui fazer aquela que sempre esteve em segundo lugar na minha lista de travessias, o Estreito de Gibraltar e isso vai-me mantendo com menos saudades das travessias que fiz e já são passado.
Mas, e de que é que me lembro da travessia do Canal da Mancha? Bom, lembro-me de quase tudo, à excepção de um pormenor ou outro. Vivi aqueles dias que antecederam a travessia e a própria travessia como se esse fosse o último dia da minha vida. E talvez por isso não tenha deixado nada ficar para trás.
Enquanto escrevo este post (são agora quase 11 da noite) lembro-me principalmente da dificuldade que tive de adormecer para tão curta noite. Deitei-me cerca das 23h para acordar pouco depois às 2 da manhã. A ansiedade era imensa e a vontade de começar a dar aos braços era mais que muita. Lá consegui de facto dormitar umas duas horas e só foi possível acordar cheio de força porque tinha andado a dormir imenso (pelo menos bem mais do que costumo) e esse descanso fez bem a diferença na hora do tudo ou nada.
O dia 6 tinha sido lindo, cheio de sol. O dia 7 começou com uma brutal tempestade. Estive quase a desanimar, mas acreditei que tudo iria acalmar quando tivesse que acalmar o que acabou por ser verdade.
À chegada ao Porto de Folkestone já estava tudo mais sereno embora de tempos a tempos a noite se iluminasse com um ou outro relâmpago. Já tinha parado de chover.
A única preocupação do Fred Mardle (meu piloto) era das previsões de vento forte no lado francês a partir das 13h. A Mariana otimista como sempre disse ao Fred que se eu começasse a nadar por voltas das 4 a manhã e com a minha determinação em fazer cerca de 10 horas, esse vento já não me iria afectar.
E assim foi. Saí às 3h58m e cheguei ao Cabo Griz Nez em França 9h30m depois. Eram precisamente 13h28m. Embora tenha sentido o aumento do vento, isso não chegou para me desviar do meu objectivo.
Apesar de não ter tido um dia ideal para a travessia (quem tem?), tudo correu de feição.
O otimismo e fé com que encarei este desafio, e na presença da Mariana que me dá tanta força, do meu querido mano Manel sempre presente e que é como se trouxesse todo o resto da minha familia com ele, sem esquecer o Pedro meu treinador em quem tanto confio, foram determinantes para que esse dia fosse um daqueles que lembrarei para o resto da vida.
Um ano depois agradeço a eles, aos meus filhos que com os seus "gritos de guerra de Mancha Pai!!!" tanto me deram força nos meus treinos de água fria, ao meu Pai pelas cartas que me escreveu, à minha Mãe por tudo o que ofereceu para que eu estivesse sempre em segurança, à minha irmã Maria, meus queridos sobrinhos e cunhados. Aos meus sogros por todo o apoio com a logística nos "bastidores". E enfim, a todos aqueles que durante esses dias tanto me incentivaram com mensagens (no mail, blog e telemóvel), amigos ou conhecidos. Ao Hugo Capela e ao Pedro Baptista da TVI pela aposta que fizeram em mim. Ao Celso e à Sofia. O Celso sabe porquê.

E agora? Claro que depois desta aventura e do Estreito de Gibraltar no dia 13 de Julho, estou desejoso de voltar a desafiar qualquer água deste meu Portugal ou deste mundo a que pertenço.
Em breve terei mais detalhes. Até lá fiquem com algumas fotografias da travessia da Mancha que acho que nunca cheguei a mostrar.